quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Santa teimosia

Numa tarde de verão ainda no final da década de 90, eu estava sentada na calçada da casa da minha vó e de frente para o corredor que dá acesso ao pátio da casa.
Minha mãe tomava chimarrão com a vizinha e a minha vó, e o meu irmão brincava por perto, já era umas sete ou oito horas da noite, eu lia um livro, um romance maravilhoso, não lembro qual era o clássico, de tantos que já devorei, mas era algo como Machado de Assis, não tive como parar a leitura, numa dessas minha mãe começa a reclamar.
- Já está tarde para ler, não força as vistas. Disse ela.
Eu muito teimosa continuei lendo, foi quando de repente de forma extremamente rápida um gato pulou em cima de mim, cai para o lado de trás da rua com a pancada e um cachorro que vinha atrás também me atropelou. O gato assustado rasgou todo o livro, uma verdadeira pena, mas foi o que me salvou, no lugar do livro seria o meu rosto se eu não tivesse insistido em continuar a leitura.
Bom, o fato é que num dia desses, num sábado, estava chateada de ter que trabalhar, eu desci do sétimo andar do prédio onde fica a Tv na rua Félix da cunha no centro de Pelotas, caminhava tranqüila pensando em ir no supermercado, pensando no que ia comer, quando olhei para atravessar a rua e vi um carro dobrando a esquina, o meu namorado sempre diz que preciso esperar para atravessar a rua, porque obrigo os veículos a me deixar passar primeiro, ora isso está no código de transito, faço valer meus direitos. Bom, tirando minha revolta de pedestre e voltando ao sábado, quando avistei aquele carro dobrando devagar corri para atravessar a rua, afinal atrás vinham outros e eu sabia que demoraria muito para conseguir passar.
Quando cheguei do outro lado da rua, virei e fiquei olhando aquele carro, alguma coisa estava errada. Nossa até hoje fico lembrando da cena e pensando que poderia ter feito algo para evitar, mas fazer o que minha bola de cristal anda um pouco enferrujada. O veículo um desses modelos novos, um C3 eu acho, foi reto ao poste de concreto que tinha na minha frente, sim eu do outro lado da rua fiquei vendo o carro desgovernado ir direto ao poste.
Fiquei sem saber o que fazer, me aproximei, não tinham muitas pessoas na rua e por isso ninguém aparecia para ajudar, como eu estava a poucos passos do veículo vi que tinha uma criança no banco de trás, uma menina de uns 2 anos, a senhora que estava com ela no colo gritava para que eu pegasse a criança.
A mulher que dirigia o carro teve um mal súbito e por sorte as outras duas passageiras não sofreram nada. A vó da criança estava desesperada e me pediu que eu ficasse com a menina, que chorava incessantemente, a coitada estava muito assustada, fiquei pelo menos uns 40 minutos com a Duda no colo. Ela era tão esperta que até queria saber como estava a tia, consegui acalmar a pequena com musiquinhas e brincadeiras. O pai dela chegou, sem muita educação, não agradeceu nem a mim, nem as pessoas que também ajudaram e levou a Duda embora. Cheguei em casa e meus braços doíam, fiquei nervosa e por dias sonhei com a carinha da menina chorando e chamando pelos pais. Nunca mais as vi e nem sei do estado de saúde delas.
Foi naquele dia que mais uma vez minha teimosia me salvou, se eu tivesse esperado o carro passar teria sido atingida por ele, que subiu a calçada onde eu estava. E que bom que de alguma forma pude ajudar naquele estranho acidente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quando se perde um amigo


Eles mal saíram pela porta e não aguentei mais segurar as lágrimas. Não sei demonstrar a dor na frente dos outros, preciso sentir ela, poder chorar. Preferi ficar sozinha, e entre a digitação deste texto me pego lembrando de coisas e não seguro as lágrimas novamente. O fato é que dói perder um amigo tão fiel.

Lembrar daquela carinha sapeca, do carinho, da carência, da cumplicidade, do afeto, das mordidas, das reclamações, do pêlo sedoso... traz lembranças de momentos que só foram felizes.

Um ser tão inocente que só queria atenção, um carinho na barriguinha, ossinhos de plástico para morder e a gata Mimi para brincar.

Ele apareceu na minha vida, me escolheu. Na verdade eu até tive dúvidas, mas quando vi aquela carinha choramingando numa gaiola, de supetão tirei ele de lá e levei para casa. Nos primeiros dias não nos acertamos, mas ele me conquistou e percebi que eu precisava dele.

Algumas pessoas não entendem porque sentimos tanto quando perdemos um amigo, talvez nunca tenham tido um como o meu. Aquele que está sempre de bom humor, nunca se queixa, compreende quando os que amam estão ocupados para dispensar o tempo com ele, aceita censura por falta que não cometeu, acredita que será cuidado até o fim da vida, aceita críticas, suporta grosserias, enfrenta a vida sem mentir nem falsear, consegue demonstrar honestamente do fundo do coração o quanto ama seu amigo e ama sem esperar nada em troca.

Meu Joca, meu amigo, meu querido. Um verdadeiro anjinho.
Como me disse uma amiga, ele veio para nos ensinar coisas boas, como amor incondicional e o desapego. Saudade!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Simplesmente eu, Clarice Lispector


Esse ano esta sendo recheado do que eu gosto, cultura.
Consegui assistir diversas peças teatrais e cansei de ir no cinema. Ainda é pouco, mas foi um crescimento com relação ao ano passado.

Ontem vi o verdadeiro ressurgimento de Clarice Lispector no teatro Sete de Abril, Beth Goulart interpretou a escritora de forma fantástica e por fim, a atriz provocou uma discussão sobre leitura, um evento que proporcionou debate sobre o assunto, bem como é proposto pelo Sesc. E o melhor tudo isso, a preços populares. Aplausos de pé para o projeto!

Roubada


Nos últimos tempos tenho controlado mais efetivamente as minhas contas e simplesmente cansei de cobranças absurdas.
Sou cliente da Claro desde que a 3G foi implantada em Pelotas e esse mês veio quase 20 reais a mais do que eu gastei. Já não tenho o serviço completo, pago um plano de 500 kbps de velocidade e dificilmente chega a 300. Liguei para a operadora e depois de dias, horas e várias atendentes consegui finalmente comprovar que a cobrança era indevida. Primeiro eles detectaram uma taxa indevida, depois quiseram me fazer acreditar que tinha gasto em jogos e ligações (sendo que minha internet não faz ligações), depois o serviço estava "fora do ar" e por ai foi. Pedi um relatório do que eles estavam me cobrando, ameacei acionar o Procon e logo depois a pobre funcionária esgotada com a minha segurança pediu desculpas e informou que uma nova fatura será encaminhada.
Hoje me irritei também com a C&A, além do pagamento das compras, tinha um tal seguro no valor 4,70 na minha conta. Sério, para que eu quero seguro? Nunca assinei nada, não tenho conhecimento do que eu tenho direito, e acho que dificilmente se eu precisar estarei apta para usá-lo, é sempre assim.
Precisamos reclamar sim, exigir não ser roubada, afinal seriam 24 reais por nada, dinheiro que poderia ser gasto no cinema (e com certeza sobraria), em festa, em uma roupa, comida... Ah é preciso também ter muita, mas muita paciência. No final vale a pena!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Caos na rede


Quando surgiu essa história de novo orkut nem dei bola, mas daí as pessoas começaram a falar, falar, entrar... o negócio começou a vir atrás de mim, não aguentei a curiosidade e procurei saber mais. Foi quando me deparei com um verdadeiro desespero pelos tais convites, uma verdadeira pancadaria cibernética.


O tal Miedi, cujo nome eu nunca tinha ouvido falar, divulgou alguns locais que dariam convites pro novo orkut, o blog dele bombou ainda mais com a divulgação do Google. O fato foi que entre as comunidades beneficiadoras estava a também pouco conhecida Omelete. O número de membros triplicou, eles lançaram o tópico: mil primeiros ganham convites pro novo orkut, só que congestionou a comunidade, adicionei quando ainda não tinham cem participantes, mas só fui aceita quando o tópico passou os dois mil comentários.


Agora as pessoas revoltadas com a demora da moderação e na entrega dos convites estão destruindo a comunidade, e os caras indignados. Mas tenha a santa paciência, eles fazem parte de uma campanha da Google, a super-hiper-mega-demais e não tem capacidade de aceitar as pessoas e demoram uma semana para entregar os convites. Ou é pura jogada de marketing, estão fazendo isso para exatamente deixarem os pobres-mortais-sem-nada-para-fazer, enlouquecidos pela última novidade da poderosa? Afinal, a ideia é combater o crescimento do Facebook, do Twitter e até do Plurk.


Sinceramente fiquei curiosa, quis experimentar o layout novo, afinal todos estamos cansados de anos com aquela página azul claro, mas fiquei assustada com o desespero das pessoas, pareciam que não podiam viver mais um minuto sem o novo orkut, presenciei discussões na internet, as comunidades oferecendo convites surgiram do nada e os spams com links para ter a novidade também.


Vamos ver como isso vai terminar! Ahh, a previsão da Google é que até a metade do ano que vem todos os usuários do Orkut estejam utilizando a nova versão. E eu recebi o convite de uma amiga, simples assim!

sábado, 17 de outubro de 2009

Noite de Glória!

Uma grande produção, como poucas que vieram a Pelotas nos últimos tempos. Digna de aplauzos, Ensina-me a viver lotou o teatro Guarany neste sábado, e mesmo com os ingressos bem caros, acima do preço que o pelotense está acostumado a pagar. Bom, o fato é que o elenco magnífico composto por Glória Menezes, Arlindo Lopes, Fernanda de Freitas, Antonio Fragoso e Stella Maria Rodrigues com maestria apresentam um espetáculo em perfeita sintonia.

A história é conhecida, saiu dos livros para o cinema, para a televisão e hoje está nos palcos. Ensina-me a viver conta a história de amor entre um rapaz de 20 anos obcecado pela morte e de uma senhora de 80, apaixonada pela vida.

Como existe a determinação de não gravar a peça, fiz o registro da comemoração da atriz pelotense Glória Menezes que faz aniversário hoje e que estava emocionadíssima de festejar mais um ano de vida na sua cidade natal, bolo, espumante e o "Parabéns pra você" não faltaram. Além disso, ela disse que dia 20 completa 50 anos de carreira e que o melhor presente que poderia receber foi o carinho e as homenagens dos pelotenses.


video

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Memória virtual


Num dia desses o meu celular não estava recebendo mensagens e me dei conta que precisava apagar algumas, foi quando me deparei com mensagens de quando adquiri o aparelho, isso há uns dois anos. O fato foi que reli os torpedos recebidos há bastante tempo e o mais curioso é que posso contar esse período através deles. Mensagens carinhosas dos familiares, de amigos que não vejo mais, o desenrolar de um relacionamento, desde as primeiras paqueras até o final do namoro, algumas mensagens também lembraram fatos engraçados. Me dei conta que se não fossem essas mensagens no celular eu não recordaria de muita coisa.

E é assim, as tecnologias já se tornaram a nossa memória, no fotolog tenho fotografias salvas, se algum dia eu perder o arquivo posso recorrer a ele. Aqui ficam registrados os meus textos e pontos de vista nesse momento, e no Youtube por exemplo, vídeos.

Mas o nosso cotidiano, antes de tudo está gravado para sempre nas páginas dos jornais impressos. Admirei com muita devoção o aniversário de 119 anos do Diário Popular aqui em Pelotas, que chega a essa idade com cara nova e versão on line. O bom é que podemos encontrar nas prateleiras da biblioteca pública os jornais do século passado e manuzeá-los com o vigor de hoje. A internet, as tecnologias são úteis e fazem diferença, mas prefiro não depender de máquinas.